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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Como melhorar a Empatia


Para desenvolver relações interpessoais positivas, é muito importante disponibili-zarmo-nos para compreender os outros. Compreender todos aqueles com quem temos interesse em manter relações estáveis, no presente e no futuro.

As relações pessoais funcionam como as negociações; se apenas estou preocupado com a presente negociação e não espero voltar a negociar com aquela pessoa, posso ser competitivo ou agressivo, tiro vantagens para mim e acaba-se a nossa relação. Contudo, se eu quiser manter o cliente para futuras negociações, preciso de aceitar a necessidade de vantagens para ambas as partes.

O que é a Empatia
A empatia permite-me compreender o ponto de vista do outro, aceitar o seu comportamento, mesmo quando é significativamente diferente do meu e, desta forma, investir em relações para o futuro.

Aceitar que o seu companheiro deixa a tampa da sanita levantada, a roupa espalhada pela casa, que o seu chefe vai marcar a reunião para as 18h, que a sua amiga chega atrasada a todos os vossos encontros… pode não ser fácil, mas evita frustrações e discussões inúteis e é o primeiro passo para negociar, sem conflito e sem emoções negativas, uma mudança de comportamento eficaz.

O desafio da Empatia
Um dos meus cursos preferidos é o curso de "Atendimento ao Público". É delicioso observar, um após outro, os meus formandos a explicar como são simpáticos para os seus clientes... até ao momento em que começamos a falar de clientes difíceis. Aí, um após outro, os meus formandos começam a revelar a sua antipatia com os clientes chatos, teimosos, exigentes, desconfiados, irados...

Ser empático para quem é simpático para nós não é difícil, não representa qualquer desafio. Sentir empatia para um cliente que está a ser intransigente, que se sente frustrado e que descarrega a sua raiva em nós, representa o grande desafio de um profissional de comunicação e consiste no verdadeiro desenvolvimento emocional.

Só é possível fazê-lo partindo do princípio que o outro tem um motivo para se sentir frustrado, que a sua raiva não se destina a nós mas sim a algo que, eventualmente, nós (ou a nossa empresa) lhe fizemos, ou que ele pensa que fizemos. É preciso controlar o nosso impulso de lhe "responder à letra" (auto-regulação) e compreender que, se nós próprios estivéssemos naquela situação, possivelmente estaríamos ainda a reagir pior (empatia).

Esta é a atitude que nos permite procurar os factos concretos que determinaram aquelas emoções do cliente e poder reparar a situação de forma satisfatória para ambas as partes.

Criar vontade de compreender o outro
Da próxima vez que se vir tentado a dizer/pensar mal de alguém, ou pronto a condenar o seu comportamento, use as mesmas questões que usa para reconhecer as suas próprias emoções. Pense: "qual a importância ou ameaça que esta situação pode representar para ele/a?"

Questione-se: "será que ele/a é "mau" ou será que algo, que eu desconheço, o estará a fazer reagir assim?"

Aceitar que somos todos diferentes
Treine-se a compreender os motivos dos outros. Observar Reality Shows é uma escola viva e infinita para compreender o comportamento humano.

Lembre-se que aquela pessoa, que já não pode ver à sua frente, é uma daquelas que se apresenta aos outros como sendo "amiga do meu amigo", honesta, verdadeira... e que acredita nisso. Com certeza que essa pessoa tem amigos que podem corroborar estas e outras qualidades extraordinárias. Procure essas qualidades nessa pessoa, crie pontes nas quais possam comunicar. Aceite as diferenças dela. Afinal, se fossemos todos iguais o mundo seria muito enfadonho!


Aceitar que somos todos iguais
Não digo que não haja pessoas más, que cometem crimes horrendos, isso seria irrealista, contudo, a grande maioria das pessoas é natural e genuinamente boa. Gente que, como nós, comete erros, tem invejas, mente, esconde informação, vinga-se... Afinal somos todos iguais!

Nós não somos o nosso comportamento. Aquilo que fazemos pontualmente não nos define.

O leitor, alguma vez mentiu? Isso significa que é mentiroso? Claro que não, há imensos motivos que nos podem levar a mentir; desde poupar alguém de um dissabor, protegermo-nos da crítica dos outros, até para obtermos um pequeno ou um grande benefício.

O facto de alguém, alguma vez, ter cometido um erro não faz dessa pessoa uma má pessoa.

Aquilo que nos define, não é aquilo que sentimos pontualmente, é a forma como nos comportamos consistentemente.

Perante situações complexas, frustrantes, muitas vezes inesperadas e contrárias às nossas expectativas, somos muitas vezes arrebatados por emoções negativas que nos levam a agir impulsivamente (a nós e aos outros).


O que nos define, e distingue, é a forma como conseguimos lidar com essas emoções, controlar os nossos impulsos e aceitar que os outros passam pelos mesmos desafios e dificuldades que nós. Uns conseguem melhor, outros pior.

A má notícia é que nem sempre é fácil, vamos ceder muitas vezes à fúria dos nossos impulsos e é um processo contínuo que nunca vai atingir a perfeição.

A boa notícia é que a preparação e o treino ajudam a obter cada vez melhores resultados.  A vontade, o tempo e a idade são factores decisivos no processo de crescimento e desenvolvimento contínuo  da maturidade emocional.

E para si, qual é o maior desafio para sentir empatia?

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Desenvolver Auto-consciência (parte 1)


A auto-consciência é a primeira competência emocional, é o ponto de partida para quem deseja melhorar a sua Inteligência emocional (IE) e desenvolver maturidade.

Pessoas com elevada auto-consciência conhecem bem os seus seus estados internos, os seus recursos e intuições, têm facilidade de aprender com os erros, têm elevada autoconfiança e são capazes de exprimir os seus sentimentos de forma socialmente adequada.





Melhorar a sua auto-consciência compreende três partes:

· Auto-consciência emocional: compreender e aceitar as emoções que sente
;
· Auto-avaliação: avaliar os próprios recursos, capacidades e limites;

· Autoconfiança: acreditar no seu valor e nas suas capacidades.

Auto-consciência emocional
Todos nós estamos habituados a compreender e a aceitar o fluxo de pensamentos que nos ocorre ao longo do dia. Contudo sentimos, muitas vezes, dificuldade em fazer o mesmo com as emoções. Da mesma maneira que vamos tendo pensamentos lógicos ou inesperados, bons ou maus, orientados para a acção ou orientados para a inércia, também as nossas emoções se vão manifestando ao longo do dia.

As emoções são “humores subtis que nos perseguem ao longo do dia” (Daniel Goleman), associados à nossa actividade física e mental. Tudo o que fazemos, pensamos, imaginamos ou recordamos, desencadeia emoções.

Durante muito tempo, o ser humano veio a aperceber-se das reacções pouco eficazes e das respostas impulsivas provocadas pelas emoções e, para evitar isso, houve uma tendência a valorizar o racional como oposto ao emotivo- irracional. Contudo, nos últimos anos, os psicólogos têm vindo a perceber melhor o funcionamento das emoções e compreender que:

  1. não existe racionalidade sem emoções,
  2. as emoções têm um papel importante e orientador nas nossas vidas.
De facto, pessoas a quem, acidentalmente, foi cortado o circuito neurológico que liga o centro das emoções ao centro executivo (pensamentos) do cérebro, são incapazes de tomar decisões porque não têm qualquer referência emocional que lhes permita fazer uma escolha.

Que emoções é que isto lhe desperta?

Todas as emoções se manifestam de duas formas:
· em sinais físicos
· nos pensamentos associados

Como reconhecer as emoções

1. Identifique a emoção base que está a sentir e o respectivo grau de intensidade

2. Aceite a emoção como sendo natural e tendo um propósito

3. Reconheça as sensações físicas associadas. Onde e como se manifesta essa emoção? (aperto no estômago, nó na garganta…)

4. Identifique os pensamentos que acompanham essas sensações.

5. Faça esta análise de forma consistente e contínua ao longo do tempo.

6. Pergunte-se:
· O que há de tão importante, ameaçador ou perturbador nesta situação, para me fazer sentir esta emoção de forma tão intensa?

7. Analise as tendências padrão das suas reacções habituais a determinadas situações ou pessoas e o respectivo padrão de resposta. Ou seja, observe a constância com que determinadas situações desencadeiam certas emoções específicas e as respostas ou reacções que normalmente tem nessas situações.

8. Questione-se:
· Estas respostas habituais estão de acordo com os meus valores e os meus princípios de vida?
· Estas respostas facilitam-me os resultados que desejo?

9. Se a sua resposta a estas duas perguntas for “sim”, parabéns, tem uma auto-consciência a auto-controlo bem desenvolvidos. Contudo, se a sua resposta a alguma delas for “não”, então decida dedicar mais tempo e atenção à análise das suas emoções. Vai ver que os resultados compensam.

Como lidar com as emoções negativas
Quando as emoções são negativas e bastante intensas, torna-se doloroso observá-las e aceitá-las, porque o desconforto é grande, no entanto, evitar este confronto não traz soluções positivas a médio-longo prazo.


Quando ignora uma emoção está a desperdiçar uma possibilidade de aprender alguma coisa sobre si, sobre os seus pontos fracos. Ignorar os sentimentos não os faz desaparecer, eles regressam sem aviso prévio e continuam a doer, porque o problema não foi resolvido.

A solução é dar-se permissão para sentir o desconforto e, enfrentar a dor. Rapidamente descobrirá que afinal não é assim tão mau, que essa dor, apesar de intensa, não o destrói e que, a partir de um certo limiar, o desconforto começa a baixar até atingir níveis aceitáveis e depois desaparecer.

Aceitar as emoções, positivas e negativas, é ganhar a oportunidade de fazer alguma coisa  produtiva com elas. Compreender e admitir as emoções é o primeiro passo para resolver um problema, ganhar auto-confiança, conseguir mais bem-estar e melhorar as relações interpessoais.

Conclusão
A auto-consciência emocional permite-nos entrar em sintonia com a nossa corrente de sentimentos e reconhecer que esses sentimentos interferem nas nossas percepções, pensamentos e comportamentos. Daqui surge a consciência de que as nossas emoções afectam as nossas relações com os outros e, consequentemente, a nossa vida familiar, social e profissional.

E o leitor, está consciente das suas emoções neste momento?

Partilhe aqui as suas emoções, positivas ou negativas, e como a sua auto-consciência o ajudou a superar alguma dificuldade.

sábado, 8 de outubro de 2011

Inteligência Emocional - o que é?

Sabia que os indivíduos com os melhores resultados escolares não têm necessariamente os melhores resultados na vida? O QI determina a nossa capacidade intelectual mas não se relaciona positivamente com o sucesso que conseguimos alcançar na nossa vida profissional, familiar ou social.

Aquilo que efectivamente determina o sucesso é a nossa Inteligência Emocional (IE).
Cerca de 90% das pessoas com melhores resultados profissionais também têm elevada IE.
Apenas 20% dos fracos performers têm elevada IE.



Ultimamente toda a gente fala de IE, mas afinal o que é a Inteligência Emocional?

As emoções são impulsos para agir. Todas as emoções que sentimos têm uma função relacionada com a nossa segurança e sobrevivência. De facto, sem emoções a espécie humana não teria sobrevivido. Frente ao animal selvagem, foi o medo que levou o homem pré-histórico a fugir ou a lutar mas, em qualquer dos casos, a ter hipótese de sobreviver.

A IE refere-se então à capacidade de usar adequadamente as emoções face às situações. Isto significa que, perante uma situação que desencadeie qualquer emoção, devemos ser capazes de usar essa emoção de forma a obtermos o melhor resultado possível. Os estudos revelam que cerca de 2/3 das pessoas são controladas pelas emoções e não as usam em seu próprio benefício.

Podemos dizer que há 4 competências básicas da Inteligência Emocional:

Capacidade de entender com precisão as próprias emoções, no momento em que ocorrem, compreender o que as desencadeia e como se desenrolam ao longo da situação.

2. Auto-regulação
Capacidade de usar a auto-consciência das emoções para se manter flexível e conduzir o comportamento de forma positiva, em seu benefício.

3. Consciência social
Capacidade de detectar com precisão as emoções das outras pessoas e compreender o que se passa com elas. Está relacionada com a empatia

4. Gestão relacional:
Capacidade de usar a consciência das suas próprias emoções e compreender as emoções dos outros para gerir as relações com sucesso.

Desenvolver estas competências traz mais maturidade, bem-estar e sucesso.

Os próximos artigos serão dedicados a cada uma destas competências.

Veja como pode desenvolver maior maturidade emocional e transformar a sua vida.